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Família

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Quando do amor, nasce um negócio.

posted by Andréa Aguiar Agosto 13, 2015 0 comments

 

Minha família sempre morou em outras cidades, que não a minha. Somente por um tempinho, um tio, tia e dois primos moravam por perto, as lembranças dessa época são cheias de carinho. Mas, via de regra, ver a família, sempre incluía malas, uma viagem de carro, e muita BR pela frente. Até hoje é assim.

Nesses breves momentos, que normalmente aconteciam nas férias escolares, reencontrar os primos, tias, tios, demandava um tempo para reconstruir os laços, se integrar, reencontrar afinidades, enfim. Na infância, parece que tudo é tão rápido e fugaz, não é? Mas, incrível como o que acontece lá, fica para sempre gravado dentro de nós, e um ou outro acontecimento nos faz ligar botões, que estavam esquecidos em alguma gavetinha da nossa memória. Um desses momentos, aconteceu comigo na semana passada.

Sempre que eu ia visitar a família, eu me encantava em especial por uma prima minha. Ela era bem mais velha (foi mals, Tana), e eu a achava o máximo. Na época, não saberia muito bem descrever o por quê, mas hoje, com um razoável entendimento sobre mim mesma, vejo que a admirava porque ela me parecia um espírito livre. Em uma das visitas, ela estava cercada de amigos, uma turma que parecia meio hippie, meio artsy – acho que ela era envolvida com teatro, ou dança, sei lá… – Em outra, estava vendendo roupas estampadas por ela mesma, numa técnica que mais tarde, a moda me reapresentaria como “tye-die”. Antes, eram as “pinturas que Tana fazia”. Lembro de um conjuntinho de bermuda e blusa branca com um tye-die aquarelado em tons pasteis, que ela fez, e minha mãe comprou pra mim. Usei tanto que o tecido da roupa não aguentou mais o tranco, e esgarçou todo. Só assim pro conjuntinho ser aposentado. Ela sempre foi falante, engraçada, exuberante. Eu olhava pra ela, e achava ela o máximo. Sempre.

O tempo passou, ela fez faculdade, casou, teve dois filhos lindos. Fez mestrado, doutorado…, e nesse ínterim, as visitas familiares foram ficando cada vez mais esporádicas. Eu só recebia notícias dela, raramente, quando um primo ou tia, comentava o que ela andava fazendo… A distância física, se transformou em distância real. Mas, aí veio o Facebook, depois o whastapp, a distância foi ficando menor, voltamos a saber uma da outra, voltamos a recriar laços… E assim, surgiu uma parceria que foi uma honra pra mim: ela me contratou para criar a marca de um novo negócio dela: a “Pão de arroz”. Uma linha de produtos sem glúten e sem lactose.

No início, era só isso que eu sabia. Só que, como eu costumo dizer, atrás de toda marca, há grandes e inspiradoras histórias. Como elas me encantam!

Tana, ou Rossana, veio ao Recife e marcamos para nos ver. Fomos em lojas de produtos naturais, ela me falou do mal que a lactose pode trazer pro nosso organismo. Que uma criança, depois de parar de ser amamentada, não precisa mais tomar leite. Eu: oi? Como assim? Na minha cabeça leiga, leite é pra lá de necessário… E fui me deixando envolver, Tana sempre se relacionou com um estilo de vida mais natural. Tem uma farmácia de homeopatia, há 25 anos. Nunca gostou de remédios, e tudo o mais que está embutido naquelas cápsulas que consumimos, sem questionar sua real necessidade. É contra esse consumo alopático (uso de agentes farmacologicamente ativos com o objetivo de tratar doenças), que está totalmente enraizado na cultura do brasileiro.

Só que… O filho mais novo de Rossana, tinha uma dificuldade enorme de crescer. Ele sempre foi mais baixinho e mais magrinho do que os garotos da sua idade. Ela já tinha tentado vários tratamentos, ido atrás de várias alterantivas, para não ceder ao tratamento hormonal. Mas, o tempo passava, nada dava um resultado eficaz, então a médica receitou o tal hormônio do crescimento. Tana, toda naturalista, surtou, né!? Ela era totalmente contra, mas todo mundo: a médica, a família, os amigos, todos tentavam convencê-la que era o melhor para ele, então ela cedeu. Daniel começou o tratamento hormonal. Por mês, não chegava a crescer nem 1cm.

Nesse tempo, Tana descobriu uma médica, especialista em alimentação natural. Ela foi, amou, saiu levando todo mundo da família: mãe, irmã, tias, filha, e claro, filho. Para fazer a dieta, a médica passa vários exames específicos. E foi então que um milagre aconteceu.

Os exames de glúten e lactose de Daniel deram reativos! Ou seja, ele era intolerante ao glúten, e à lactose, mas era assintomático. Nunca descobriram, porque ele nunca passou mal, ou esboçou alguma reação. Sempre comeu de tudo. Começou uma revolução. Enfim, tinham descoberto uma razão para Dan não crescer. A lactose e o glúten agiam como veneno nas células dele. O organismo não metabolizava o que ele consumia, vivia sobrecarregado. E nada funcionava, como deveria, inclusive, ele não conseguia crescer. Mas agora imagina: um garoto de 15 anos, no auge da adolescência deixar de comer pizza, pão, hambúrguer, queijo, presunto, requeijão… Affffff maria. Toda a base alimentar de um adolescente, né?! kkkkkk

Tana se viu louca vendo o filho passar vontade, tinha dias que ele telefonava pra ela e pedia, “me dá uma fatia de pizza, por favoooooor, mãeeee!!” Então ela começou a pesquisar na internet como fazer massa de pizza SGSL (sem glútem e sem lactose), massa pra pão, receitas de biscoitos, torradas, tudo! Qualquer coisa que minimizasse o impacto negativo na vida de Daniel.

Qual o limite que uma mãe enxerga para tornar a vida de um filho mais confortável? Nenhum, né. E nessa luta, Tana descobriu uma nova paixão. Se ela já dedicou uma vida a estudar fármacos alternativos, sendo professora de bioativos orgânicos, na UFPB, sendo dona de uma farmácia de homeopatia, por 25 anos. Agora, perto de se aposentar, ela tinha encontrado, também, uma nova forma se alimentar. Mais saudável, mais coerente com o estilo de vida que ela sempre praticou, que agora passou a ser determinante para a saúde do seu filho. E por quê não? Para tantas outras pessoas.

Foi assim que nasceu a Pão de arroz, uma marca de produtos SGSL, que nasceu da dedicação, do carinho e do amor, de uma mãe pelo seu filho.

Ter uma mínima participação nesse projeto, me enche de orgulho. Obrigada pela confiança, Tana!

Vida longa à Pão de Arroz!

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Em tempo: Dandan tem crescido uma média de 1,5cm por mês, chegando em alguns casos, a 2cm. Os risquinhos com que Tana marca a altura dele na parede, estão ficando cada vez mais espaçados e altos! : ) Para o alto, e avante, Dannnnn! Emoticon heart

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O desafio de amar, cuidar e deixar a vida acontecer.

posted by Andréa Aguiar Agosto 13, 2015 0 comments

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Ontem foi o São João da escola do meu filho de 3 anos. Sim, esse texto vai ter a ver com esse diário. Não, esse não é só um texto de uma mãe louca apaixonada pelo filho. Mas, é também kkkkk Então… esse ano, a escola onde ele estuda decidiu fazer a festinha num teatro enoooorme que tem na minha cidade, com capacidade para umas 1.500 pessoas na plateia.

Chegamos lá, Benjamin encontrou-se com os amiguinhos, e pôs-se a posar para fotos na fogueira, com os porcos, com a vaca, na igrejinha… (tudo fictício, gente, mas tava fofo), na maior empolgação. Até que chegou a hora de entrar no teatro. Nessa hora, Benjamin começou: “quero a vovó!”, “quero a vovó!”. Consegui despistar.

Pais com filhos que iriam se apresentar, à direita para entrar na coxia. Seguimos. Quando entrei naquele espaço gigantesco, que só o pé direito devia ter uns 20 metros, senti um frio na barriga, um nó garganta… Além de olhar o mar de crianças que enchiam o lugar, comecei a imaginar os artistas que já haviam passado por ali: o que eles faziam, o que eles pensavam, até o momento da cortina levantar. Se aquilo foi impactante para mim, imagina para aquelas crianças. Benjamin logo começou: “quero biscoito do Bob Esponja”. Saímos para pegar o tal biscoito com a vovó, lá fora na plateia. Pegamos e voltamos. Comeu biscoito junto com os amiguinhos. Depois de comer o biscoito: “quero água”. Essa foi mais fácil, o copo tava na mesma bolsa do biscoito. Dei. Então, comecei a tentar me despedir, começou a choramingar, “não, mamãe, não, mamãe”. Enquanto ele choramingava, uns soluçavam, outros, permaneciam sentados com com o olhar perdido…, e uns poucos, estavam lá relaxadões curtindo.

Foi então que tia Cleide, a professora dele, pediu que as mães saíssem de perto para que ela pudesse acalmá-los antes do espetáculo, por enquanto estivéssemos por lá, aquilo não iria parar. Saímos. Na verdade, eu e mais três mães nos escondemos atrás de uma parede. E ficamos de olho neles através de 5 centímetros que separavam um banner dessa parede. Naquele momento éramos quatro, mas um só coração, cheio de insegurança, ansiedade. Olhávamos uma às outras procurando a cumplicidade que precisávamos para sentir que estávamos fazendo o certo. Uma olhava, “Benjamin está te chamando”, meus olhos ardiam. “Agora, deram uma chupeta para Isadora, ela está se acalmando”, Hele agradecia. Manu procurava Malu. Renata via Mariana tranquila. “Eita, ela me viu!” Aí chegou um recado: tia Cleide pedia para que descêssemos para que ela pudesse tomar conta da situação. Eu confio nela. Era o momento ou vai ou racha. Eu só pensava: “quero criar meu filho para o mundo”. Eu podia ter colocado ele no braço, encaixado o rosto dele nos meus cabelos e ter sussurrado no ouvido dele: “mamãe está aqui, vai ficar tudo bem”, mas não, eu nunca saberei se estarei sempre lá. O que estará sempre com ele, é o que ele vai aprender dessa vida. E fui.

Desci as escadas sentindo como se alguém apertasse meu estômago, um soluço de choro irrompeu a minha garganta (sorte que ninguém ouviu por causa do barulho kkk que mico!), minhas mãos estavam geladas. Sentei na primeira fileira do teatro, onde minha sogra me esperava. Seriam três apresentações de balé, depois começaria o musical com coreografias de cada turma. A dele seria a primeira. Ela perguntava: “cadê ele?”, eu só pensava: “espero que esteja bem”!

Começou o balé. Foram os quinze minutos mais demorados dos últimos tempos. A cortina desceu. Na próxima vez que elas se abrissem, já seria com ele. Mas ela não levantava. Só escutava umas palavras distantes que um apresentador insistia em falar. De repente, elas começaram a subir, e lá estavam eles, sentadinhos no fundo do palco. Ao primeiro acorde da música que eles vinham há semanas escutando nos ensaios, todos levantaram num salto. E começaram, a pular, dançar, rodar, maravilhosamente desconexos. Cada um no seu ritmo, cada um com a sua própria interpretação da coreografia, uns pulavam, outros se abaixavam, uns ficaram quietinhos. E Benjamin estava lá, eufórico. Pulava, levantava as mãos, parava, olhava para os colegas, dançava de novo, o chapéu caiu, foi pegar, a professora pegou antes, rodava. No final, um aceno de agradecimento com a cabeça. Eu gritava, batia palmas, ria, chorava. A cortina subiu, chegou meu marido que estava longe – filmando de outro ângulo kkkkk – com um sorriso de orelha a orelha, nem lembro o que dissemos, estávamos em êxtase.

Subimos até a coxia em busca dos nossos dançarinos. Eu e outras mães, olhávamos para um lado, para outro e nada… Era um mar de criança e eu não via os olhos da minha. Foi então que avistamos uma fileirinha de pequenos de mãos dadas, seguindo a professora. De longe, vi Benjamin, corri pra perto, ajoelhei com os braços abertos a espera do melhor abraço do mundo. Ele me abraçou, me olhou e repetia: “mamãe, eu dançei, mamãe, eu dançei”. Nessa hora caiu a ficha de como aquilo tinha sido realmente importante pra ele. Eu podia ter colocado no colo, protegido, mas nada, nada que eu fizesse por ele, ia dar a sensação que imaginei que ele estava sentindo. Apesar do choro, apesar do medo, apesar, apesar, apesar de tudo. Ele foi lá, subiu no palco e dançou. Ele podia. Ele soube disso. Ele conseguiu.

Eu não sei se é porque eu leio e penso sobre empreendedorismo o tempo todo, mas se isso não for incentivar uma atitude empreendedora no meu filho, eu não sei o que seria. Eu agradeço todos os dias por ter a possibilidade de sentir isso, que não sei nem definir, pois acho que é maior do que alegria, maior do que felicidade. Agradeço ainda porque foi graças a chegada dele à minha vida, que eu tive a motivação para largar a minha zona de conforto e viver um trabalho no qual eu seja feliz e veja sentido. É ele quem me faz querer ser uma pessoa melhor a cada dia. E eu só desejo que eu consiga fazer com que ele enxergue que ele pode ser e fazer tudo o que ele desejar.

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Cônjuge e sócio? Pode?

posted by Andréa Aguiar Agosto 13, 2015 0 comments

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Se é data comercial ou não, o que eu acho é que qualquer dia, ou razão, ou motivação para falar, dar e multiplicar amor é mais do que bem-vinda. Eu mesma sou bem preguiçosa para datas de uma maneira geral. Se brincar, até aniversário eu deixo passar em branco. Mas ainda bem que tem gente que a gente ama pra cuidar de nós, dar aquela sacudida e fazer aquele numerozinho a mais no calendário, ter um sentido especial.

Hoje, poderia ser mais um desses dias, que para mim, ia passardespercebido.

Mas eis que ontem eu tive uma noite diferente.

Depois de quase um ano acordando várias vezes por noite, seja para amamentar, seja para acodir de algum sonho, seja para trocar uma fralda ou para dar uma mamadeira a um dos meus filhotes. Ontem eu e meu cônjuge passamos uma noite fora de casa, sem babá eletrônica, gente! Kkkkk Uma noite sem sobressaltos. Um presente, um mimo, do meu maridón. Amei, né?! Melhor presente eu não podia ter ganhado! Ele acertou em cheio ?

E saindo da rotina, eu me deparei com o jornal impresso do dia, um antigo, mas atualmente esquecido, companheiro. E dei de cara com essa manchete do Diario de Pernambuco: “e eles foram sócios e felizes para sempre”. Achei o máximo!

Na matéria, eles pegaram alguns personagens que são sócios e namorados ou casados, não necessariamente nessa ordem, e contaram um pouco do que fez cada um deles, levar essa parceria privada para o profissional. Bem como, os desafios de manter em equilíbrio o amor e os negócios.

Ai, gente, confesso que em cada história daqueles casais, eu vi um sonho materializado. Uma ideia que tomou forma e ganhou o mundo. Confesso que fiquei um pouco decepcionada pelo tamanho da matéria. Eu queria mais. Ler mais. Saber mais. Sobre eles, sobre seus negócios, sobre suas vidas. Acho que sou meio voyeur nesse sentido. Simplesmente amo conhecer a história por trás de uma marca, de um empreendimento. O Diario arrasou na pauta, mas me deixou com gostinho de quero mais.

E comecei a refletir sobre a importância dos nossos parceiros, nos nossos negócios. Como é importante pra quem empreende ter um ponto de equilíbrio. Alguém pra recorrer quando a dúvida ou a insegurança batem à nossa porta. Isso acontece sempre? Humrum, tantas vezes.

Eu não tenho sóci@, mas tenho um assessor, consultor. Meu google e corretor de ditados populares (que eu nunca decoro), que me aguenta quase 24h falando do meu trabalho, e do meu sonho de viver fazendo o que gosto, da maneira que gosto, com a minha cara.

Esse post é em homenagem a todos os sócios e sócias por tabela que ajudam esses empreendedores sonhadores a segurar a peteca! Em especial, a você, môre.