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O desafio de amar, cuidar e deixar a vida acontecer.

posted by Andréa Aguiar Agosto 13, 2015 0 comments

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Ontem foi o São João da escola do meu filho de 3 anos. Sim, esse texto vai ter a ver com esse diário. Não, esse não é só um texto de uma mãe louca apaixonada pelo filho. Mas, é também kkkkk Então… esse ano, a escola onde ele estuda decidiu fazer a festinha num teatro enoooorme que tem na minha cidade, com capacidade para umas 1.500 pessoas na plateia.

Chegamos lá, Benjamin encontrou-se com os amiguinhos, e pôs-se a posar para fotos na fogueira, com os porcos, com a vaca, na igrejinha… (tudo fictício, gente, mas tava fofo), na maior empolgação. Até que chegou a hora de entrar no teatro. Nessa hora, Benjamin começou: “quero a vovó!”, “quero a vovó!”. Consegui despistar.

Pais com filhos que iriam se apresentar, à direita para entrar na coxia. Seguimos. Quando entrei naquele espaço gigantesco, que só o pé direito devia ter uns 20 metros, senti um frio na barriga, um nó garganta… Além de olhar o mar de crianças que enchiam o lugar, comecei a imaginar os artistas que já haviam passado por ali: o que eles faziam, o que eles pensavam, até o momento da cortina levantar. Se aquilo foi impactante para mim, imagina para aquelas crianças. Benjamin logo começou: “quero biscoito do Bob Esponja”. Saímos para pegar o tal biscoito com a vovó, lá fora na plateia. Pegamos e voltamos. Comeu biscoito junto com os amiguinhos. Depois de comer o biscoito: “quero água”. Essa foi mais fácil, o copo tava na mesma bolsa do biscoito. Dei. Então, comecei a tentar me despedir, começou a choramingar, “não, mamãe, não, mamãe”. Enquanto ele choramingava, uns soluçavam, outros, permaneciam sentados com com o olhar perdido…, e uns poucos, estavam lá relaxadões curtindo.

Foi então que tia Cleide, a professora dele, pediu que as mães saíssem de perto para que ela pudesse acalmá-los antes do espetáculo, por enquanto estivéssemos por lá, aquilo não iria parar. Saímos. Na verdade, eu e mais três mães nos escondemos atrás de uma parede. E ficamos de olho neles através de 5 centímetros que separavam um banner dessa parede. Naquele momento éramos quatro, mas um só coração, cheio de insegurança, ansiedade. Olhávamos uma às outras procurando a cumplicidade que precisávamos para sentir que estávamos fazendo o certo. Uma olhava, “Benjamin está te chamando”, meus olhos ardiam. “Agora, deram uma chupeta para Isadora, ela está se acalmando”, Hele agradecia. Manu procurava Malu. Renata via Mariana tranquila. “Eita, ela me viu!” Aí chegou um recado: tia Cleide pedia para que descêssemos para que ela pudesse tomar conta da situação. Eu confio nela. Era o momento ou vai ou racha. Eu só pensava: “quero criar meu filho para o mundo”. Eu podia ter colocado ele no braço, encaixado o rosto dele nos meus cabelos e ter sussurrado no ouvido dele: “mamãe está aqui, vai ficar tudo bem”, mas não, eu nunca saberei se estarei sempre lá. O que estará sempre com ele, é o que ele vai aprender dessa vida. E fui.

Desci as escadas sentindo como se alguém apertasse meu estômago, um soluço de choro irrompeu a minha garganta (sorte que ninguém ouviu por causa do barulho kkk que mico!), minhas mãos estavam geladas. Sentei na primeira fileira do teatro, onde minha sogra me esperava. Seriam três apresentações de balé, depois começaria o musical com coreografias de cada turma. A dele seria a primeira. Ela perguntava: “cadê ele?”, eu só pensava: “espero que esteja bem”!

Começou o balé. Foram os quinze minutos mais demorados dos últimos tempos. A cortina desceu. Na próxima vez que elas se abrissem, já seria com ele. Mas ela não levantava. Só escutava umas palavras distantes que um apresentador insistia em falar. De repente, elas começaram a subir, e lá estavam eles, sentadinhos no fundo do palco. Ao primeiro acorde da música que eles vinham há semanas escutando nos ensaios, todos levantaram num salto. E começaram, a pular, dançar, rodar, maravilhosamente desconexos. Cada um no seu ritmo, cada um com a sua própria interpretação da coreografia, uns pulavam, outros se abaixavam, uns ficaram quietinhos. E Benjamin estava lá, eufórico. Pulava, levantava as mãos, parava, olhava para os colegas, dançava de novo, o chapéu caiu, foi pegar, a professora pegou antes, rodava. No final, um aceno de agradecimento com a cabeça. Eu gritava, batia palmas, ria, chorava. A cortina subiu, chegou meu marido que estava longe – filmando de outro ângulo kkkkk – com um sorriso de orelha a orelha, nem lembro o que dissemos, estávamos em êxtase.

Subimos até a coxia em busca dos nossos dançarinos. Eu e outras mães, olhávamos para um lado, para outro e nada… Era um mar de criança e eu não via os olhos da minha. Foi então que avistamos uma fileirinha de pequenos de mãos dadas, seguindo a professora. De longe, vi Benjamin, corri pra perto, ajoelhei com os braços abertos a espera do melhor abraço do mundo. Ele me abraçou, me olhou e repetia: “mamãe, eu dançei, mamãe, eu dançei”. Nessa hora caiu a ficha de como aquilo tinha sido realmente importante pra ele. Eu podia ter colocado no colo, protegido, mas nada, nada que eu fizesse por ele, ia dar a sensação que imaginei que ele estava sentindo. Apesar do choro, apesar do medo, apesar, apesar, apesar de tudo. Ele foi lá, subiu no palco e dançou. Ele podia. Ele soube disso. Ele conseguiu.

Eu não sei se é porque eu leio e penso sobre empreendedorismo o tempo todo, mas se isso não for incentivar uma atitude empreendedora no meu filho, eu não sei o que seria. Eu agradeço todos os dias por ter a possibilidade de sentir isso, que não sei nem definir, pois acho que é maior do que alegria, maior do que felicidade. Agradeço ainda porque foi graças a chegada dele à minha vida, que eu tive a motivação para largar a minha zona de conforto e viver um trabalho no qual eu seja feliz e veja sentido. É ele quem me faz querer ser uma pessoa melhor a cada dia. E eu só desejo que eu consiga fazer com que ele enxergue que ele pode ser e fazer tudo o que ele desejar.

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